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"Vamos para Acapulco?" Refletindo com o exemplo do Senhor Barriga


Depois de tanto tempo finalmente chegou o momento de escrever sobre um dos meus momentos favoritos da ficção em geral, e ao mesmo tempo, levando em conta a popularidade que Chaves tem no Brasil, sei que é um momento que muitos conhecem e amam.


Em determinado episódio Professor Girafales se dirige para a Vila como de costume, porém, dessa vez não era para vez a Dona Florinda, era para algo diferente, era para confrontar o Seu Madruga sobre um questão complicada, ele tinha suspeitas que a filha dele poderia ter se apossado de algo que não era dela, no final das contas a Chiquinha realmente tinha comprado algo que ela nem sequer precisava, apenas por conta de uma pitada de fé e inocência de criança, apesar de ter pegado o dinheiro de seu pai sem ele saber, porque ela comprou algo com a expectativa de uma promoção, no caso seria sorteado uma viagem para Acapulco com tudo pago para duas pessoas.


No final das contas Chiquinha deu sorte, e com isto ela e seu Pai, o Seu Madruga mesmo não tendo tantas condições conseguiram ir para Acapulco com tudo pago, a Dona Clotilde não quis ficar de fora, se o Seu Madruga vai, ela vai também, já a Dona Florinda não podia aturar o fato de até o “Seu Madruga” estar indo para Acapulco, e assim ela foi e levou seu filho Kiko junto, e como a Dona Florinda vai o Professor Girafales resolveu também ir, assim, estavam todos indo tirar alguns dias de descanso em Acapulco, um lugar bem popular para férias no México, mas tem alguém que estava ficando para trás, e este é o protagonista da série, o órfão Chaves.


Dona Clotilde sendo alguém de mais idade e morando sozinha já tinha seu próprio dinheiro, Professor Girafales mesmo que professor nem sempre ganhe tanto quanto merece, também tem seu emprego, Dona Florinda apesar de nem sempre na série ter dinheiro de sobra, também tinha certas condições de levar ela e seu filho Kiko, e a Chiquinha e seu pai mesmo sem condições ainda sim teve a sorte de ganhar o sorteio, todos eles tinham ou condições ou algo que possibilitava ir, menos o Chaves, e nisto enquanto todos os outros estariam aproveitando num lugar especial, ele estava ficando ali para trás sozinho, mas não era assim que as coisas iriam acabar…


Como de costume o Senhor Barriga, o dono da Vila veio cobrar o aluguel dos inquilinos, e então foi na primeira casa, a de Dona Florinda, não tinha ninguém, e Chaves diz que eles foram para Acapulco, o mesmo na casa seguinte, Dona Clotilde não estava lá, na terceira o Senhor Barriga já foi como certo, já que como o Seu Madruga raramente parece ter dinheiro dificilmente ele teria tido condições de viajar também , para então perceber que estava errado, eles também foram, Chaves acaba explicando que foi por conta da promoção, e então o Senhor Barriga conclui, se seus inquilinos podem tirar um tempo para descansar e aproveitar, porque não ele? E então resolve ir também, mas é aí, é neste momento que a “mágica” acontece, poucos passos antes de sair pelo portão da Vila, Seu Barriga para e reflete.


“Chaves você gostaria de ir a Acapulco?” questiona o ele, percebendo que órfão ficaria ali sozinho, Senhor Barriga o convida para ir com ele aproveitar uma viagem também, um detalhe bem curioso é, quando o senhorio chegou na Vila, novamente Chaves sem querer o acertou, e é algo que se repete muitas e muitas vezes, mas por mais que não pareça o Senhor Coração tem uma grande barriga, digo, o Senhor Barriga tem um grande coração, mesmo que tantas vezes o órfão o afligisse nunca se importou ou se quer tentou tirá-lo da Vila, mesmo que de certa forma sendo o dolo daquele local, o Senhor Barriga poderia fazer isto, mesmo que as pancadas sempre se repetissem, ele foi paciente, e mostrou uma nuance do amor que poucos tem, que é a paciência, mas isto fica para outra análise, o que importa aqui é mesmo com esses “contras” mesmo o Chaves irritando ele em tantos momentos, não pensou muito em convidar o órfão para ir com ele, justamente porque o que ele pensou, e que já demonstrou em muitos momentos é as consequências de suas ações, de fazer ou não fazer algo, e sabia que se ele não fizesse, não teria outro para fazer e órfão ficaria ali enquanto os outros se divertiam.


No Livro do Profeta Isaías aparece um questionamento “Quem enviarei? Quem irá por nós?” e o Profeta responde, aquela voz que na realidade era o próprio Deus dizendo, “Eis me aqui, envia-me!” (Is 6:8) Tem pessoas que muitas vezes fazem a pergunta errada, eles se perguntam “aonde estão os que irão fazer isto ou aquilo?” querendo que somente os outros resolvam e solucionem problemas, quando na verdade a pergunta que deveria ser feita “Se eu não fizer isto, alguém mais irá fazer?” Às vezes a pessoa que vai fazer algo é aquela que você encontra ao se olhar no espelho, sim, você mesmo, ou como está escrito “Aquele, pois, que sabe fazer o bem e o não faz comete pecado.” (Tg 4:17)


No caso ás vezes você está vendo algo acontecer, não é para ficar imaginando que alguém poderia tentar fazer algo para resolver aquilo, é para você tentar fazer algo para ajudar, obviamente não é uma regra, mas tem casos que assim como só estava o Chaves e o Senhor Barriga ali, se você não fizer, ninguém mais vai fazer, e em muitas vezes você tem plena capacidade de ajudar e resolver a situação, às vezes até sem precisar se esforçar muito, às vezes algo que para você é simples ou pequeno, pode se tornar uma benção muito grande na vida da pessoa, um momento que você tirou para fazer algo, e que às vezes em pouco tempo até se esquece disto, pode acabar marcando tanto a História de alguém que ela nunca vai se esquecer daquilo por toda sua vida, ou melhor, tem casos que você pode literalmente salvar a vida de alguém sem perceber por agir ao invés de ficar parado.


O curioso é que alguns vão pensar “mas ele não me pediu ajuda”, bom, o Chaves também não pediu, a questão é que seja por orgulho, seja por vergonha acredite muitos jamais pedirão ajuda, mas analisando certas situações fica claro como algo poderia ser útil ou bom em determinado momento, igual o Chaves estava perceptivelmente triste quando Senhor Barriga chegou lá, nós não somos oniscientes, mas em muitos momentos é possível parecido como Deus vê, nas entrelinhas das coisas, ou como está escrito “...porque o seu Pai sabe do que vocês precisam, antes mesmo de o pedirem.” (Mt 6:8) Antes de você pedir, Deus já sabe, e já preparou o que você precisa em diversos momentos, e assim você pode fazer na vida dos outros, nem sempre é necessário esperar alguém pedir para tentar ajudar, e sim, algumas pessoas reclamarão, porém, não é o orgulho delas que merece respeito, e sim, tentar fazer o que é certo, porque uma das coisas mais comuns do mundo é a pessoa ignorar que precisa de ajuda, não é a toa que tantos só vão ao Médico quando a situação já esta crítica, antes disso vão ignorando até não dar mais, vivemos em uma geração cheias de “cabeças duras” que não entendem que é melhor prevenir do que remediar, até pedem ajuda, mas esperam praticamente o último instante por isto, tem momentos que não pare para pensar, faça igual Pedro, quando começou a afundar nas águas disse a Jesus “Senhor salva-me!” (Mt 14:30) Não tenha medo ou vergonha de pedir ajuda quando necessário, principalmente que com ajuda tem problemas impossíveis para nós sozinhos, que se tornam tão simples, e obviamente também nunca se esqueça de pedir ajuda do próprio Deus, não vá tentando resolver a vida por conta própria, e só quando um monte de coisas começarem a te perturbar e dar errado parar para pedir ajuda, infelizmente muitos agem assim, mas isto é tolice.


 O curioso é o que próprio Chaves demonstra que qualquer um pode compartilhar e ajudar, em outro momento quando mesmo sendo alguém que passa fome, quando conseguiu certo alimento compartilhou e dividiu com o Seu Madruga, e aqui podemos entrar em outro ponto chave, nem sempre é com dinheiro, que você vai mudar a vida de alguém, sim, tem horas que ele ajuda e muito, igual o Senhor Barriga conseguiu ajudar o protagonista justamente por ter dinheiro para isto, mas às vezes são coisas simples, como ouvimos na abertura de Yu Yu Hakusho mesmo “No corre corre da cidade grande tanta gente passa, estou só!…” existem várias pessoas que não estão sozinhas no sentido de não ter ninguém ao redor delas, mas mesmo no meio da multidão, elas estão sozinhas, são invisíveis, ignoradas, como se ninguém as visse ou ouvisse, e nisto às vezes simplesmente ouvindo o desabafo de alguém, para que ela não precisa carregar aquela angústia sozinha, já pode ser de grande ajuda, ou basicamente podemos falar algo bem direto, o dinheiro é importante, mas o dinheiro não compra tempo, o tempo é o recurso mais precioso da humanidade, principalmente porque ao contrário do dinheiro que você consegue olhar sua conta no banco para saber quanto tem restante, o tempo não é possível, às vezes uns acham que tem muito tempo de sobra, quando na realidade lhes resta bem pouco, já outros acham que estão vivendo seus últimos dias quando na realidade tem anos de vida pela frente.


E assim é justamente investindo o novo precioso tesouro, que é o tempo na vida dos outros, que podemos mudar a História e a vida deles para melhor, mas infelizmente alguns estão correndo tanto que ignoram pessoas precisando de ajuda que estão tão perto deles, ou até dentro da própria casa, e também existe algo interessante de se compartilhar, compartilhar sobre as coisas boas que Jesus te entregou e ensinou, e fazer como fez o Apóstolo Pedro, ele encontrou um homem precisando de ajuda, mas infelizmente não tinha dinheiro para ajudar, então ajudou com algo diferente “Não tenho prata nem ouro; mas o que tenho isso te dou. Em nome de Jesus Cristo, o Nazareno, levanta-te e anda.” (Atos 3:6) O Apóstolo não ignorou o homem necessidade, e não mentiu, muitas vezes eles não andavam com dinheiro, por mais que no final Judas tenha sido um traidor, podemos usar ele para ilustrar aqui, Judas era o tesoureiro entre os discípulos de Jesus em sua época, era ele que cuidava do dinheiro, depois dele provavelmente outro assumiu, era uma pessoa específica que fica com o dinheiro, e organizava como ele seria administrado e levando em conta que Pedro era um ex pescador, ou seja, não é necessariamente uma função onde deve ter conseguido acumular grandes riquezas para gastar depois, é quase certo que ele realmente não tinha dinheiro em mãos para ajudar o necessitado, porém, ainda sim tentou ajudá-lo deu atenção e entregou a Ele seu tesouro mais precioso que é Jesus.


Existem muitas maneiras de ajudar alguém, e eu confesso, ajudar é arriscado, você pode ser esculachado por isto, porque ajudando principalmente sem pedir você vai ferir o orgulho de alguém quer tentar resolver tudo sozinho, porém, ignore, o que você deve pensar não é o que vai acontecer se eu ajudar, e sim o oposto, assim como notou o Senhor Barriga em alguns momentos, como quando optou por não despejar o Seu Madruga mesmo este devendo muito dinheiro para ele, que seria a consequência de não agir, se o Senhor Barriga não agisse o órfão Chaves ficaria para trás sozinho sem ninguém naquela Vila até que os demais moradores voltassem, ou se ele despejasse o Seu Madruga, ficaria aquele pai e sua filha sozinhos morando na rua até por algum milagre conseguirem algum novo lugar para morar, muitos vão pensar daquela maneira clássica “E quem disse que isto é problema meu?”, mas não foi assim que Jesus ensinou, ou como o Apóstolo Paulo mostrou também.


Não atente cada um para o que é propriamente seu, mas cada qual também para o que é dos outros…” (Fp 2:4)


Você não deve olhar somente para si mesmo, deve perceber as pessoas ao seu redor, o Evangelho muitas vezes não é um religião sobre o “Eu” e sim sobre o “Nós” sobre a Comunhão, não é a toa que somos ensinados como quando estão “dois ou mais reunidos” e assim às vezes agindo de maneira contra intuitiva, assim como Senhor Barriga agiu quando convidou o Chaves para viajar com ele para Acapulco, já que não era o tipo de coisas que muitos esperariam, mas ele percebeu como poderia ser importante para o outro, você pode mudar a vida de alguém, e fazer uma diferença que talvez nunca perceba o quão grandiosa foi na vida do outro, e às vezes, não foi o Chaves que você chamou para ir à Acapulco, e sim, o próprio Jesus, já que como está escrito, o que é feito qualquer um dos pequeninos que creem nele, é como se fosse feito a Ele próprio, sim, às vezes você pode ter sido literalmente como o Bom Samaritano, enquanto alguém estava correndo demais com algum compromisso, até um compromisso religioso, você parou para ajudar alguém que precisava, e sem perceber, você ajudou o próprio Jesus, e assim, no final você estava mais perto de Deus do que aquele que esteve fielmente dentro da Igreja dia após dia.





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