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Além do que os olhos podem ver com Shiryu de Dragão

Na mitologia ocidental os dragões são considerados muitas veze como monstros ferozes e impiedosos, e erroneamente existe a percepção de que na mitologia oriental eles também seriam essa espécie de monstros, o nome pode ser o mesmo por aqui, mas o significado de ambos é bem diferente, e com o exemplo de Shiryu, o Cavaleiro de Dragão no anime Saint Seiya, irei ilustrar isto um pouco além do que os olhos podem ver, por assim dizer, ele é a personificação do Ágape o amor Cristão.


De igual forma que aqui no Brasil chamamos diversas coisas de dragão, tanto os ocidentais quanto os orientais, mesmo que tenham significados diferentes originalmente, o Amor também é assim, originalmente do grego mais de uma palavra quando veio para alguns outros idiomas, incluindo o nosso se tornou o Amor, porém, existem mais de um tipo deles, e o que importa neste momento da análise é o Ágape, o amor sacrificial e incondicional, que é também muitas vezes dentro do Cristianismo como “O Amor Cristão” aquele mais resume o Amor de Cristo.


Depois da Guerra Galáctica, as armaduras de Seiya e de Shiryu estavam destruídas, na realidade, mais que isto estavam praticamente mortas por assim dizer, no universo de Saint Seiya as armaduras também te vida, e nisto ele foi levá-las até Jamiel o único lugar no mundo aonde poderiam ser restauradas, e era algo de urgência e necessário porque eles tinham uma missão importante logo a frente, mas quando finalmente encontra Mu, o restaurador de armaduras ele descobre algo complicado, que teria feito muitas pessoas desistirem, para salvar aquelas armaduras era necessário sangue, e não pouco sangue, muito, a vida dele ficaria em risco, e o Shiryu não hesitou abriu mão de quase todo seu sangue para que Mu pudesse restaurar as duas armaduras, o ato comoveu o restaurador, que interviu não somente realizando a restauração das armaduras mas para salvar a vida de Shiryu. “O Amor de Cristo nos constrange” aqui temos demonstração do Ágape de maneira prática constrangeu de uma boa forma Mu, que tempos depois descobrimos que na realidade era um dos cavaleiros mais poderosos da obra, nem ele era forte suficiente para vencer o amor, e nisto resolveu salvar a vida daquele que antes era quase um desconhecido dele, tendo no máximo ouvido falar sobre do Mestre Ancião


Ainda em recuperação Shiryu ao invés de optar por repousar e cuidar do próprio bem estar, já voltou para o campo de combate para ajudar seus amigos, pensando mais no bem do próximo do que no seu próprio, não te lembra alguém? que preferiu sangrar e sofrer para salvar as pessoas, do que ter uma vida tranquila em sofrimento no Céu? prosseguindo, ele enfrenta o Dragão Negro, sua contraparte maligna entre os cavaleiros negros, porém, ele o vence de maneira triunfal, não pela força somente, mas pela misericórdia e compaixão, Shiryu realmente o venceu num combate, mas optou por não finalizar o seu rival, poupando sua vida, logo em seguida desmaia ali na frente do seu adversário, e mais uma vez “O Amor de Cristo nos constrange” ali era simplesmente um inimigo, mas que provou um dos maiores poderes do mundo, que é a misericórdia e o perdão, ele foi constrangido e ao invés de aproveitar que Shiryu desmaiou para eliminá-lo ele optou por salvar a vida do seu inimigo, mesmo que este esforço no final custasse também a sua própria, e nisto mais uma vez pela demonstração do Ágape, o Shiryu conseguiu uma vitória que somente pela força não seria possível.


O tempo passa e novamente Shiryu mostra o Ágape na prática, encontram o temível Algol de Perseu, o Cavaleiro de Prata com o Escudo da Medusa capaz de transformar em pedra quem olhar para ele, um poder letal e simples de usar, mais simples do que parece, não basta fechar os olhos ainda sim o escudo teria efeito, seus amigos haviam sido transformados em pedra, a esperança estava perdida, se não fosse o Ágape, ao contrário da lógica, Shiryu fez algo que poucos fariam, ele se cegou, abriu mão da Visão um dos sentidos mais preciosos propositalmente, ele sacrificou muito para salvar seus amigos, e no final deu certo, ele conseguiu derrotar o inimigo quebrando então a maldição da medusa, o Amor que estamos analisando não busca somente o “Eu” somente os próprios interesses, seria muito mais fácil para Jesus ter permanecido no Céu, sem nunca ter descido a Terra para sofrer, mas ainda sim ele próprio deu o exemplo, e mostrou que como cantou certa vez Juliano Son “Para que outros possam viver, vale a pena morrer”.


Shiryu estava cego fisicamente, mas ele enxergava além do que muitas pessoas com visão perfeita jamais conseguirão, e não falo pelo poder do Cosmo, mas pelo poder da nobreza que o Verdadeiro Amor pode ter, e nisto mesmo mal tratado por Ikki, ele opta por ir junto com os demais cavaleiros de bronze para o Santuário, era chegada a hora deles o mais baixo nível entre os Cavaleiros de Atena enfrentarem os Cavaleiros de Ouro, os mais poderosos de todos, muitos teriam pensado “estou cego, melhor não ir”, ele foi, curiosamente em determinado momento o milagre aconteceu, justamente contra um inimigo de nome assustador, Máscara da Morte que enviou Shiryu para o mundo dos mortos, porém, ao contrário disto tê-lo feito perecer, serviu para fortalecê-lo pois ali, o Dragão recuperou a sua visão, e isto funciona muito bem para ilustrar também a outra face do amor a de que “todas as coisas cooperam para o bem daqueles que Amam a Deus” por assim dizer, muitos estariam perdidos, ou teriam se desesperado, mas ele permaneceu lutando, e ele venceu alguém curioso, ele venceu simplesmente a armadura do adversário, lembra que eu disse que elas tem vida? A armadura do Cavaleiro de Ouro se recusou a continuar lutando contra Shiryu abandonando o seu portador, e aqui mais uma vez nós vemos que esse Dragão é longe de ser alguém comum, o que ele faz? Ele tira também a própria armadura para a luta ficar justa, e assim, vence Máscara da Morte estando ambos “iguais” por assim dizer sem suas armaduras, isto para muitas lógicas não faz sentido, mas na prática é simplesmente mais uma nuança do amor cristão, ele não queria que sua vitória fosse desonrada, ele queria vencer o inimigo plenamente por assim dizer.


A jornada pelas dozes casas continuam, e ali encontramos um dos momentos mais poéticos da ficção, o Cavaleiro de Ouro a seguir era Shura de Capricórnio, aquele que empunhava a lendária espada Excalibur capaz de cortar qualquer coisa, mas porque digo que é poético? Shura se auto intitulava como o Cavaleiro mais leal a Atena, que seria basicamente aquele que seria o exemplo mais digno, mais louvável, que mais valesse a pena ser seguido que mais lutava pela justiça (Aqui temos o Farisaísmo aqueles que se julgam mais justos que os outros dele) e diante dele temos Shiryu, que sem exagero é possivelmente o verdadeiro Cavaleiro mais leal a Atena, disposto a sacrificar tudo para proteger ela e seus amigos, e nisto o Dragão faz sua “última dança” por assim dizer, a sua técnica mais poderosa, como se poderia esperar dele, era algo sacrificial, era o “Último Dragão”, o Shiryu foi até às últimas consequências para derrotar o seu adversário, para que em última instância seus amigos cumprissem com êxito sua missão e seu objetivo, ali seria o fim deste Bravo Guerreiro, e tem uma das cenas mais tristes de toda ficção com o Mestre Ancião chorando e dizendo.


"Shiryu, você usou o último dragão não é? Na verdade eu sabia que este momento chegaria, Shiryu, você é um homem que vive pela justiça e não para si mesmo, você daria sua vida pelos outros, viver para a justiça ao invés de fazê-lo para sua segurança é bonito, porém, triste Shiryu."


Quem mais seria louco de usar uma técnica que só pode ser usada uma vez, já que custaria a vida do usuário para salvar os outros? Mas talvez a loucura é questão de perspectiva assim como a palavra e os ensinamentos de Cristo são loucura para os que perecem, mas aqui temos a diferença entre a Falsa Justiça e a Verdadeira Justiça, Shura se considerava e se vangloriava de ser justo, assim como os fariseus e os hipócritas, quando na realidade não era e estava cego, enquanto Shiryu era alguém humilde disposto a sacrificar o que custava para salvar aqueles que são importante para ele, e aqui ele encontrou a verdadeira o justiça, este sim é o verdadeiro exemplo, aquele que mesmo que talvez não intencionalmente ilustrou nesta obra o Ágape, o Amor de Cristo, no final, na realidade infelizmente o sacrifício do Dragão seria em vão.


Shura era muito poderoso e a armadura de Ouro iria salvá-lo da técnica de Shiryu, mas novamente o amor de Cristo nos constrange, e ele opta por abdicar da sua armadura de ouro usando ela para salvar o Dragão. “De que adianta vencer se você também vai perder a sua vida?” a frase que Shura diz para Shiryu poderia ser dita a muitos mártires do passado, porque "Ninguém tem maior amor do que este: de dar alguém a sua vida pelos seus amigos." (João 15:13) e nisto aquela não foi na realidade a “Última dança” do Dragão, não foi por mera força bruta que ele venceu seus adversários, igual aqui, ele iria perder, mas o amor triunfou e venceu plenamente seu adversário, mostrando a Shura em seus últimos momentos quem era verdadeiro leal a Justiça e a Verdade, e ainda houveram mais outros momentos assim, alguns canônicos em Saint Seiya, como no caso enquanto Seiya e os outros partem para o Elíseos para de uma vez por todas pôr um fim ao reinado de Terror de Hades, e a princípio Shiryu fica para trás para não deixar inimigos irem atrás deles, e até em partes não canônicas como Asgard e spin-offs é possível encontrar momentos assim, e aqui, vemos por fim, que Dragões podem ter o mesmo nome, mas nem todos são monstros, nem tudo é tão simples quanto parece, Shiryu era uma exemplo de nobreza, e um exemplo claro do Amor Ágape em ação, o Amor que Cristo amou e ensinou os cristãos a amar, este é o amor que constrange, que permite conquistar vitórias triunfais que não seriam adquiridas somente pela força, como foi contra Saulo de Tarso, antes perseguidor, depois um dos maiores defensores e expoentes do verdadeiro amor, mesmo enquanto cego Shiryu ainda enxergava melhor do que muitos que não veem o quanto são hipócritas, e o quanto na realidade amam muito mais a si mesmos e as próprias vontades, assim como aqueles sobre quem eram dito que amavam Deus com os lábios, mas o seu coração estava longe d’Ele.


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