Pular para o conteúdo principal

[Eu Ainda Estou de Pé #01] Seu Madruga, o Boxeador que não foi nocauteado pela Vida



Seu Madruga, o personagem que foi brilhantemente interpretado pelo ator Ramón Valdés no seriado do Chaves, será relembrado hoje para trazer uma preciosa lição neste Setembro Amarelo, este é para mim um dos personagens que facilmente disputam pelo pódio de “mais estigmatizado” pelas pessoas, sem realmente merecer isto, ele é constantemente associado a alguém “Vagabundo”, porém, na realidade está longe de ser assim realmente, sendo na realidade um dos exemplos mais notáveis da ficção em diversos aspectos.


Algum tempo antes dos eventos que se passam no “presente” na Vila do Chaves, a esposa do Seu Madruga morreu, deixando ele assim viúvo e com uma filha bem nova ainda, aquela que conhecemos como Chiquinha, entretanto diferente de muitos pais que abandonam seus filhos, ele continuou cuidando dela, e nisto ele teve vários empregos diferentes, justamente para ter meios de conseguir sustentar sua filha, e assim como ele mesmo certa vez disse “Não há nada mais trabalhoso do que viver sem trabalhar”, e assim em diversos episódios pudemos acompanhar as empreitadas dele em diferentes tipos de trabalhos diferentes, coisa que um verdadeiro “Vagabundo”, dificilmente faria.


Além disto, ele nos ensinou mais, nos ensinou que as pessoas boas devem amar os seus inimigos, e não fez isto da boca para fora, a Dona Florinda esbofeteou ele diversas vezes, sim, era algo que acontecia de maneira muito recorrente, entretanto, ele nunca revidou, e o detalhe aqui é que a maioria das vezes que ele apanhou foi literalmente sem merecer, muitas vezes o real culpado era o Chaves, mas quem apanhava era o próprio Seu Madruga, ainda sim, mesmo que teoricamente parecesse justo aos olhos de muitos, ele não se vingou da Dona Florinda, e assim, apesar das pancadas que a vida lhe dava ele continuou seguindo em frente, a vida foi muito injusta com ele, ainda sim, ele permaneceu de pé, sim, imperfeito, porém, passando preciosos ensinamentos, outro clássico era “A vingança nunca é plena, mata a alma e a envenena”, mas o maior ensinamento que ele passou, não foi exatamente com uma frase de efeito, mas sim, com uma ação.


Em determinado momento ele se torna sócio da Dona Florinda, para venderem churros, e brevemente ele precisa se ausentar da barraca, deixando o Chaves para cuidar dela em seu lugar, entretanto, quem conhece o órfão sabe, que dada as circunstâncias de vida dele, não é a escolha mais segura do mundo deixá-lo perto de comida, e foi o que aconteceu, ele comeu todos os churros, e ali, entendendo bem isto, Seu Madruga não o bate, só irritado manda o garoto embora dali, já imaginando que no final assim como em vários outros momentos isto iria sobrar para si mesmo, e eis que Dona Florinda aparece, e questiona Seu Madruga sobre os churros, e ali, nós temos uma das mais belas cenas da ficção.


Ao invés de falar que foi o Chaves, no final das contas ele simplesmente diz “Fui eu”, ele toma para si a culpa pelo que aconteceu com os churros, já se preparando para levar mais uns tabefes, mas então a Dona Florinda responde “Lá dentro o Chaves me confessou tudo, e o senhor assumiu a responsabilidade ao invés de acusá-lo, sabe Seu Madruga dá gosto tê-lo como vizinho, um Homem”, muitos que tratam ele como um mal exemplo, se atentando somente aos defeitos dele, eu garanto, que diante dele são seres miseráveis, sim, alguns deles teriam fugido de suas responsabilidades como pai, outros, não teriam buscado emprego ou trabalho diante das dificuldades da vida, outros teriam devolvido na mesma moeda o que Dona Florinda fazia com ele, e por aí vai, mas não ele.


Sim, Seu Madruga foi alguém que permaneceu de pé, mesmo diante de diversos problemas, e esta é a vida, a vida não é sobre acertar sempre, sobre todos os dias serem de sol, mas sim, sobre mesmo que as tempestades venham, ainda sim, tentar seguir em frente, e assim, em alguns momentos de certa forma aqueles que seguem em frente se tornam o Sol no meio da Tempestade para iluminar a vida dos outros, assim como o personagem de Ramón Valdés fez, influenciando positiva de maneira bem significativa os outros personagens em diversos momentos, e deixando para os telespectadores não somente muitas risadas, mas também preciosos ensinamentos também.


Fazer o que é certo quando as coisas estão correndo como o esperado é bem fácil, apesar, que mesmo assim muitos não farão, mas buscar fazer o bem, mesmo quando as coisas não correm como o esperado, é aqui que a “mágica” acontece, porque como disse Jesus “…no mundo tereis aflições, mas tende bom ânimo, eu venci o mundo.” (João 16:33b) Algum dia algum charlatão desvirtuou a mensagem de Jesus, e assim muitos continuaram desvirtuando seus ensinos até hoje, quem te disse que a vida seria fácil é mentiroso, quem pensa que se tornar cristão por exemplo as coisas se tornariam sempre mais tranquilas e será “benção sobre benção”, está completamente equivocado.


A realidade é que no mundo teremos muitas aflições, muitas dores e sofrimentos, haverá luto, porém, isto não é desculpa para nós mesmos nos tornamos o mal, pelo contrário, é no meio das trevas que a luz pode brilhar mais forte, e foi assim que o exemplo do Seu Madruga brilhou ainda mais mesmo, ele tinha muitas razões para desistir, porém, não desistiu, continuou seguindo em frente, e apesar das imperfeições foi um grande homem, sendo ele o primeiro que usarei de exemplo para uma série de textos com o tema “Eu ainda estou de pé”, aqueles que tiveram vários motivos para permanecer no chão, mas ainda sim, continuaram seguindo em frente, e ao mesmo tempo, a dor não deve nos tornar frios, pelo contrário, saber como a vida pode doer, deve nos levar a ser mais empáticos com os outros, e de certa forma parte do vínculo de Seu Madruga e Chaves se dá justamente por conta disto.


Dom Ramón sabia como o órfão sofria, tanto é que em diversos momentos tentou ajudá-lo, apesar de todo estresse que sofria por causa dele, tem uma bonita cena depois do aniversário do Kiko, aonde pensávamos que o Chaves estava pegando sanduíches a mais só para ele, mas no final da noite ele os leva para compartilhar com o Seu Madruga, enquanto o amigo trouxe alguns refrescos para ambos beberem também, e na cena do Churros não foi diferente, ao invés de jogar a culpa ao garoto, ele sabia que a fome não é fácil, ainda mais para alguém que não tivesse alguém para cuidar dele como pai ou mãe, e nisto, já acostumado com as pancadas da vida, estava disposto a tomar mais uma, por amor ao próximo, você não é obrigado a se curvar ao sofrimento, e se render às trevas do dia mal, sim, eu sei que não é fácil, mas ainda sim, em muitos momentos ainda é possível permanecer de pé, e mais que isto, permanecendo de pé você pode inclusive ajudar outros a não caírem diante da tempestade. 



Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

"Em uma outra vida.." o Ciclo do Ódio foi quebrado, um texto refletindo sobre um "What if" que nunca ocorreu no universo de Naruto

“Em uma outra vida…” dessa vez chamo aqueles que acompanharam Naruto a refletir sobre alguns cenários que nunca aconteceram, mas quem sabe se o Ciclo do Ódio tivesse sido quebrado, poderiam ter acontecido. Estamos ali no Vale do Fim, Madara Uchiha e Hashirama Senju estão lutando com todas suas forças, para ver quem é o mais forte, e assim Madara cai ao chão e começa a rir dizendo “Pode ter me vencido dessa vez… meu amigo, mas da próxima o resultado vai ser bem diferente” e então Hashirama chega e segura sua mão ajudando o amigo se levantar novamente, e digo “Estarei ansioso pela próxima, mas vamos voltar, hoje vamos comer inazurishi por conta do Hokage.” E assim, Madara Uchiha, o primeiro Hokage da Aldeia da Folha volta para Aldeia da Folha junto de seu melhor amigo, e braço direito Hashirama Senju, neste universo, o conflito inicial entre Uchihas e Senjus foi resolvido pacificamente no final das contas, se resolveram, muitas mortes foram evitadas, o ciclo do ódio nunca chegou a existi...

SGC #22 - Não é nada disto do que você está pensando

Este personagem foi escolhido pelo fato de ser o mais poderoso do anime Dragonball... quer dizer, na verdade não é isto.., ele foi escolhido por um motivo simples mas do qual podemos tirar uma lição relevante, seu nome é Mr. Satan. Muitos pais no passado foram à loucura quando viram seus filhos assistindo determinado episódio de Dragonball Z aonde a multidão gritava “Satan, Satan, Satan..”, obviamente com este nome as coisas podem ser facilmente interpretadas de maneira errada, no final de contas ele é um personagem que não tem nada a ver com Satanás a não ser talvez o fato dele ser um grande mentiroso, mas seu nome não tem relação alguma com Satanás, na verdade o criador do anime tentou fazer um um anagrama (inverter a ordem das letras de uma palavra a fim de formar uma nova palavra) com a palavra Santa que se refere ao Nome Santa Claus que traduzido seria Papai Noel, só que parece que os resultados foram bem inesperados, por conta de sua cultura Akira Toriyama (criador do anime...

SGC #10 - Aprendendo com o exemplo de Aldebaran de Touro

Sabe qual o único motivo pelo qual um crente costuma buscar saber seu signo?, para saber qual Cavaleiro de Ouro o defende no anime Cavaleiros do Zodíaco, grande maioria para não dizer todos ficavam decepcionados quando descobriam que o defensor do seu signo era o gigante brasileiro chamado de Aldebaran. Ele é um dos doze cavaleiros de ouro que defendem Athena, ou seja, está entre os cavaleiros mais poderosos (e de patente mais alta), Aldebaran é conhecido por sua enorme força física porém ainda sim na maioria das vezes é considerado pelos fãs do anime como um dos cavaleiros de ouro mais fraco, senão o mais fraco. Aldebaran ficou marcado por momentos não muito “grandiosos”, na primeira grande saga do Anime ele foi o primeiro cavaleiro de ouro à ser derrotado pelos cavaleiros de bronze, obviamente que ele não lutou a sério mas isto muita gente não conta, em outra temporada ele foi derrotado facilmente pelo inimigo, mas ao contar esta história muitos se esquecem que este...